21 novembro, 2010

Eu não moro mais aqui...

Com Aletheia, essa Maria dá adeus às Cores de Frida e muda de casa.
Inicia-se nova jornada, onde por certo também haverá cores berrantes, que a vida não existe sem elas. Mas agora é tempo de convidar a alegria e a leveza a juntarem-se a nós!  



04 outubro, 2010

Aletheia

E pode poesia de alegria?

Quando começou
até fez susto
comichão de ser feliz
coceirinha gostosa
das asas nascendo
criando vício de liberdade

Mas onde tiro visto pra Terra do Nunca?

Vontade de tudo
carnaval carnaval carnaval
risos gingado barba
brincar de namorar
mentiras vestidas de gala
cenários e um amor de boteco

Deus perdoa tanto carnaval assim?

Vomitei medo e culpa na manhã de céu azul
o corpo dá seu jeito de expelir coisas tóxicas, eu já sabia.
Mas desconfiei um pouco.
Depois gostei bastante
e estou agora neste estado de querência.


Um cesto de delícias
certezas pra confundir
idiomas inventados
significados pra misturar
volúpia,  desejo de gozar
na sua
com a sua cara
e deixar a língua falar
coisa nenhuma
coisa alguma
coisa com coisa.

Toda
molhada
me derramo
sem
derramar
nem uma lágrima.







02 outubro, 2010

SeCura

Jorram águas de novo
Ando seca com intervalos de enchente
seca onde só não
nada brota
só esta luta brava sanguinolenta áspera
interrompida por jorros d’água
encharcando alma seca
enchente que quer matar até as sementes
até as sementes
que não
existiram
existirão.

O corpo do futuro foi encontrado boiando antes das águas baixarem
e quando as águas baixaram 
secou rápido
as gretas começaram a rasgar
fendas fundas feridas
na terra
nesta secura
Se cura o que?

Meu Deus, não tem primavera neste sertão?