02 março, 2006

No olhar

Para a mãe, que faz de tudo para me ajudar a arrebitar.

A moça tem os olhos tristes.
A mãe cuida, ajuda,
por fim ordena, voz firme e zelosa:
arrebita, menina, arrebita!
A mãe entende fundo
o que dizem aqueles olhos.
É conhecedora dos amores e ainda mais das dores.
Já teve que arrebitar-se
sabe como custa
sabe que demora.
A moça segue
seu caminho por entre precipícios.
Sente que precisa de redes
redes que a segurem,
que não a deixem
despencar
abismo
abaixo.
E então, a moça dos olhos tristes,
tece suas redes,
entrelaça palavras num tear
que ela própria criou.
Cada rede segura um pouco de vida,
prende cores que um dia
estarão em seus olhos,
no lugar da tristeza de agora.
Quando a moça arrebitar
não perguntem, não será preciso.

Isto estará em seu olhar.

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