Vou-me embora.
Está livre o lugar
que quis ocupar em sua vida.
E estará livre dentro de mim
O espaço do desejo que te quis em minha vida.
Sinto mágoas, medos e cansaço.
E sinto raiva
E desejos confusos, ressacados.
Quero me despedir dizendo palavras que não brotam.
Palavras oníricas
De um sonho intenso e maluco.
Mas nada parece fértil agora.
Sinto-me seca, árida.
E consolo-me em pensar
Que assim é a vida.
Os ciclos sucedem-se sem nunca parar.
O tempo das chuvas já passou.
A aridez também terá seu fim.
E é um pouco triste
Saber que as minhas estações
Acontecerão longe dos seus olhos
Distante do seu sorriso e da sua voz.
Não, quisera eu que pouco fosse.
Muito triste, tristíssimo é o que é.
Mas não importa, agora é tempo de ir.
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