Toada ( Adélia Prado)
Cantiga triste, pode com ela
é quem não perdeu a alegria.
A mulher dos horizontes amplos
e levezas d’alma
voltou hoje,
chegou à noitinha
recitando a Toada lindamente,
contando-me segredos e feitiços.
Permitiu-me revelar alguns:
disse que não voltou
porque sempre esteve
e que se não a vejo
é pura cegueira.
A causa:
dor e angústia,
temperados com medo e pressa.
Mistura de fazer
escuridão
e encarcerar o olhar.
A mulher está aqui
abrindo espaço para toda uma vida.
Foi buscar longas histórias,
da mãe cuidando muito mais de todos que de si,
do pai, antes força e depois abismos sem fim,
tornando-se cada dia mais filho e menos pai.
Trouxe a avó e seus tachos de doces
espalhando cheiros pela casa,
perfumes de amor na minha memória.
E o avô cardíaco
namorando horas o saxofone
que já não podia tocar
passando, com o tempo,
a música
a ecoar dos dedos do irmão.
A mulher sorrindo
sussurrou que da irmã
não é preciso contar.
Ela, aparecida,
aparece em tudo,
está em cada linha
de cada verso
dos meus dias,
daqueles de menina perdida
em que não vejo a mulher,
e dos dias em que estou inteira,
menina, moça e mulher.
A estas histórias
juntou ainda outras
de amigos,
amores,
desamores.
E com arte e paciência
é quem não perdeu a alegria.
A mulher dos horizontes amplos
e levezas d’alma
voltou hoje,
chegou à noitinha
recitando a Toada lindamente,
contando-me segredos e feitiços.
Permitiu-me revelar alguns:
disse que não voltou
porque sempre esteve
e que se não a vejo
é pura cegueira.
A causa:
dor e angústia,
temperados com medo e pressa.
Mistura de fazer
escuridão
e encarcerar o olhar.
A mulher está aqui
abrindo espaço para toda uma vida.
Foi buscar longas histórias,
da mãe cuidando muito mais de todos que de si,
do pai, antes força e depois abismos sem fim,
tornando-se cada dia mais filho e menos pai.
Trouxe a avó e seus tachos de doces
espalhando cheiros pela casa,
perfumes de amor na minha memória.
E o avô cardíaco
namorando horas o saxofone
que já não podia tocar
passando, com o tempo,
a música
a ecoar dos dedos do irmão.
A mulher sorrindo
sussurrou que da irmã
não é preciso contar.
Ela, aparecida,
aparece em tudo,
está em cada linha
de cada verso
dos meus dias,
daqueles de menina perdida
em que não vejo a mulher,
e dos dias em que estou inteira,
menina, moça e mulher.
A estas histórias
juntou ainda outras
de amigos,
amores,
desamores.
E com arte e paciência
vai unindo todos estes pedaços,
quer formar um forte fio
de um novelo de lã.
Fio de Ariadne no labirinto da vida.
quer formar um forte fio
de um novelo de lã.
Fio de Ariadne no labirinto da vida.
Um comentário:
Beautiful!
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