18 fevereiro, 2006

Aqui plantei sementes de amor (ou Epitáfio)


Plantei nesta casa
tantas sementes de amor.
Elas não brotaram
não cresceram raízes
nem verde das folhas
ou perfume das flores
tampouco colorido dos frutos.
Fiquei desconsolada,
meu pranto encharcou a terra,
cumprindo-se o destino de
morte, apodreceram as secas,
já sem vida, sementes.
Mas foi nessa casa
que as plantei.
E por isso faço aqui velório
lápide e túmulo do que faleceu.
Feito o enterro
seguirei para o mundo.

Dentro ainda restam outras sementes
e não renego meu destino de jardineira.
Mas essa casa guardará para sempre
um pedaço de mim.
E em nome do que aqui plantei
celebrarei dignas homenagens póstumas,
em memória e poesia.


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