Tento embalar meu coração cansado numa cantiga qualquer que me faça ver mais longe. Tento serenar o espírito na certeza do caminho trilhado o ter sido feito com os pés fincados no solo da minha crença de que era, sim, o melhor caminho, chão de palavras tão reais, tão palpáveis como a terra. Chão de desejos, de busca, de encontro. Então, paro e espero. Tento ouvir o que está dentro, abafado. Tento não deixar o medo crescer. O medo, em mim, faz demasiado barulho, às vezes me ensurdece a alma, estupidifica a vida. Mas não fujo, sinto-o, que ele também sou eu e não posso evitá-lo, só o que posso fazer é aprendê-lo. Não, não quero minha alma surda. E tento aprender-me em todo o resto...minha capacidade de amar, de criar, de me deixar envolver, de me entregar com todas as forças, de me afirmar, de dizer sim ou não conforme seja sim ou não a resposta que meu coração sussurre. E agora tento ainda aprender que não é o bastante saber entregar-me, é preciso saber recolher-me e devolver-me a mim própria. E assim sigo tentando, como sempre foi, como, espero, será sempre. A vida pouco mais é do que isso, e isso não é pouco.
2 comentários:
Gosto de coisas assim, como em Sylvia Plath "...escorre pelo muro e eu sou a flecha, orvalho que avança, suicida e de uma vez se lança contra o olho vermelho..."
Vc me deixou zonza...um elogio que, se entendi direito e nesse caso é um enorme elogio, não sei onde guardar.
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